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Desaprendendo com a experiência

AuthorAutor: Valton Miranda    CategoryMarcadores:

A humanidade atual parece estar desaprendendo a conviver com sociedade e natureza. O homem-mercadoria dialoga estranhamente com a máquina (computador, celular, tv). O pensamento humano que sempre esteve buscando uma linguagem, agora encontra o discurso vazio. A sociedade mercantil consumista desconstrói o humano, enquanto bloqueia o pensamento que, desvairado se abriga na perversão fetichista.

Lembro experiência científica, na qual o caracol privado de sua casinhola protetora enlouquece, indo e voltando até morrer. O destino da humanidade é ainda mais trágico, pois está tornando sua casa inabitável, enquanto seu pensamento não encontra abrigo numa linguagem comum universal. O pensamento do sujeito humano desnorteado não consegue linguagem comunicativa capaz de bloquear sua própria destrutividade.

A luta pelo poder que, na nossa coletividade se origina no grupo familiar, alcança seu apogeu com a mercantilização social, transformando as relações humanas em balcão de compra e venda. O dinheiro, máximo fetiche desse sistema, é então fim em si mesmo, não importando o aquecimento do planeta, o avanço do mar sobre um terço da humanidade que vive no litoral, a desertificação, a devastação do ambiente como resultado do efeito estufa. Não é pessimismo dizer que a natureza criou condições para o desaparecimento dos dinossauros, enquanto o homem transforma a natureza, que determinará o fim da sua passagem pela Terra.

Nossa chamada civilização desenvolveu a técnica e o intelecto, mas empobreceu a emoção e o sentimento que fundamentam o conhecimento e a verdadeira comunicação. O grupo humano é um Édipo político cada vez mais potencialmente narcisista e psicótico. É inegável a presença de constante luta política no interior de qualquer grupo, seja ele na academia, na igreja, no exército e na psicanálise. Assim, o conflito no interior do grupo inevitavelmente estoura numa conspiração liderada por um profeta com uma Idéia salvadora. Tal dinamismo inerente aos grupos humanos não pode ser impedido, mas poderia ser compreendido e diminuído na sua vertente destruidora.

A inveja sádica é o ingrediente emocional mais comum na batalha pela posse-domínio no interior da coletividade ou entre agrupamentos diversos. O motivo para manter acesa a chama da batalha é quase sempre banal, por exemplo, a discordância de um professor que recrimina seu chefe de departamento porque não entra no democratismo banal, ou seja, abdicar da autoridade. No âmbito do alunato, o comportamento grupal se manifesta como extravagância no vestuário e no linguajar. Os exemplos podem se estender até aos psicanalistas que se apegam aos detalhes de uma teoria, levados pelas mesmas emoções inconscientes narcisistas individuais e grupais.

O resultado é que enquanto tenta evoluir com a Razão, a construção humana é destroçada por suas próprias emoções primitivas de inveja, ódio e ambição. O exemplo dessa Razão irracional mais recente é o de toneladas de batatas jogadas no lixo por agricultores brasileiros. Isso já ocorreu antes quando criadores de carneiros na Inglaterra os afogaram no mar para manter o preço elevado da lã no mercado. O fetiche-lucro-dinheiro invade a consciência humana tornando-a louca.

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