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O vômito do vulcão

AuthorAutor: Valton Miranda    CategoryMarcadores: ,

A Islândia era considerada país modelo do neoliberalismo capitalista até o recente colapso econômico financeiro que varreu o mundo e ainda está em curso. Os islandeses amargaram o empobrecimento com a gigantesca desvalorização das suas aplicações principalmente em bancos europeus e norte-americanos. É neste pequeno país gelado que entra em erupção o vulcão que vomita cinzas e gases tóxicos sobre toda a Europa, provocando gigantesco colapso do tráfego aéreo.

O mercado capitalista em estado de choque pretende ignorar sua responsabilidade na produção do colapso ecológico planetário enquanto concomitantemente mostra extraordinária preocupação com o controle da energia nuclear. O presidente Obama assina tratado com a Rússia e proclama enfaticamente que o mundo ficou mais seguro. Pura tolice para jogar uma cortina de fumaça sobre as verdadeiras intenções deste tratado, pois bomba atômica atualmente não é artefato de guerra, mas simplesmente símbolo de intimidação diplomática. Além disso, a fronteira entre produção de energia nuclear para fins pacíficos e bélicos é extremamente imprecisa para os cientistas.

O professor Manuel Domingos Neto em recente pronunciamento à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, em audiência pública sobre Revisão do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, disse: “Paralelamente, o comércio mundial de armas, que havia se retraído nos últimos anos do século passado, sofre agora indiscutível incremento. O governo francês estimou que a média do mercado internacional foi de 61,4 bilhões de euros no período 2002-2006. As cifras variam sobre esta matéria, mas a julgar pelos dados fornecidos pelo SIPRI, entre 2001 e 2007, os 33 países que respondem por 90% do comércio internacional de armas aumentaram em mais de 64% suas transações”. Disso resulta que diminuir o número de ogivas nucleares e foguetes lançadores é apenas um artifício para realocar o dinheiro na produção de armas que o mercado julga conveniente nas guerras localizadas.

A mentira tem importante função política, mas atualmente os meios de comunicação mundiais conseguiram entronizá-la como verdade. Os EUA mentiram na invasão do Iraque e agora pretendem que o mundo continue acreditando na sua hipócrita cruzada pelos direitos humanos que agora tem como foco propagandístico o Irã. O governo norte-americano utiliza cães farejadores de petróleo e dinheiro e quando encontra o alvo não hesita em jogar mísseis balísticos sobre miseráveis palhoças para estabelecer seu domínio. Foi assim no Vietnã e na Coréia, agora no Afeganistão e o Brasil poderá ser o próximo alvo.

A verdadeira mania da cultura norte-americana de “salvar o mundo” exprime a grotesca contradição que representa o boicote sistemático do governo estadunidense ao controle de emissão de gases do efeito estufa produtores do aquecimento da terra e do mar como aconteceu em Kyoto e em Copenhague. Isso se manifestou quando o diretor de Avatar como verdadeiro cruzado do meio ambiente voou com sua espada flamejante para enfrentar os devastadores da Amazônia. Como redivivo Quixote, Cameron possuído pelos avatares de Vixnu plantou árvores e fez toda sorte de estripulias que verdejantes políticos desmiolados não entendem como manifestação do antagonismo cultural que penetra a mente de muitos líderes do sistema econômico globalizado. Além disso, existe entre os que fazem o Foro Social Mundial a suspeita de que a Paz Verde esteja sendo financiada por um dinheiro também verde. A guerra sempre foi aliada do mercado enquanto a ciência é um colaboracionista relutante.

Quando Einstein dialogou com Freud sobre a guerra o criador da Psicanálise mostrou que o ser humano tem a belicosidade embutida e reprimida no seu psiquismo. Assim, o impulso destrutivo está sempre pronto a atuar. Freud não pensava politicamente e, portanto, não percebeu que a política é uma extensão tanto da virulência narcísica da sociedade quanto do embate controlado pelo ritual e pela lei. A ironia da história é que o vulcão islandês parece anunciar a próxima fase da convulsão capitalista que estremece a Grécia.

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