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Coluna Resistência: Psicanálise sem modismo

AuthorAutor: Valton Miranda    CategoryMarcadores: ,

Desde tempos imemoriais o homem cria moda e estabelece modismos culturais. A moda é vulgarmente pensada como algo inerente ao vestuário ou ao trato da aparência física seja de pessoas, animais e ambientes. O fato é que a moda se complexificou no design e fez aliança com a criatividade poética e a ciência. As modas, entretanto, são quase sempre apêndices que vão e vem no espaço e no tempo. O uso de bengalas, perucas e chapéus foi durante séculos o maior esteio da moda. A produção destrutiva que o capitalismo de consumo incrementou enormemente trouxe a moda para uma condição jamais vista antes. O modismo se tornou tão extravagante a ponto de produzir a transvaloração que Sade e Nietzsche somente pensaram perversa e filosoficamente. O surgimento da internet introduziu a moda virtual para complicar ainda mais o comportamento sexual e agressivo dos seres humanos. Desde então pretende-se que não há mais necessidade da presença física do outro para agredi-lo até a morte ou gozá-lo à exaustão. Não creio que a psicanálise possa ser utilizada no contexto em que a moda se transforma em perversão potencial. O método psicanalítico não pode prescindir da relação transferência-contratransferência para cuja constituição a relação interpessoal é fundamental.

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