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Rio Menos Vinte

AuthorAutor: Valton Miranda    CategoryMarcadores: , ,

O encontro ocorrido no Rio de Janeiro com o esdrúxulo nome de Rio + 20 exprime o embate no interior do mercado capitalista entre ciência e opinião, fatos e falsificações, verdade e mentira. O saber científico nunca foi tão permeável às seduções do capital, enquanto a opinião do povo jamais foi tão manipulada pelo espetáculo. O show pirotécnico de bombas caindo sobre Bagdá ou Tripoli tem função espetacular, a mesma função que transformará a Conferência numa grotesca mentira. As cúpulas de chefes de Estado se sucedem entre Kioto e Rio sem nenhum resultado prático. Não somente os EUA recusam assinar os protocolos para redução da emissão de gases, os outros países igualmente estão longe de praticar qualquer política consequente capaz de conter a destruição generalizada da natureza e do homem. A magia do ouro, que sempre fascinou o homem, transformou-se no fetiche dinheiro, que aciona o lucro colocando o ser humano num círculo vicioso infernal. Os filósofos até o Século XII condenavam a cupidez egoísta chamando-a de auri sacra fames (voracidade pelo ouro). Já Adam Smith, filósofo do capitalismo, chancelou o egoísmo privativista e recusou sem rodeios a ética comunitária. A economia política atualmente não é exclusivamente baseada no valor trabalho, mas também fortemente impulsionada pela fetichização das mercadorias, produzindo na consciência humana o impulso ao consumo frívolo, estimulando a aquisição de bens de aparência. Disso resulta que ambientalistas e “verdes” pratiquem uma espécie de política “charmosa”, na qual atacam o secundário e poupam o principal: o mercado capitalista. Nunca se viu tanto palavrório midiático vazio para ocultar ainda mais os sujeitos ocultos desse processo, ou seja, os grandes capitalistas dos oligopólios, que nada querem saber sobre os números do caos planetário em futuro próximo. Não é preciso ser Einstein para saber que a estrondosa concentração de CO² na atmosfera levará ao aquecimento intolerável da Terra. Isso, entretanto, não parece sensibilizar os senhores do capital, que manobram igualmente na China ou no Brasil para manter os mandatários políticos sob seu controle, visando à insensata finalidade do lucro infinito. Eis a questão sobre a qual os meios de comunicação com sua ventriloquia mundializada não falam, pois isso afetaria a engrenagem publicitária. O capitalismo conseguiu a proeza de criar uma civilização globalizada baseada no feroz individualismo narcísico, que cultua os valores privados em detrimento dos bens públicos. Além disso, sua mídia habilmente desmembra os fatos mundializados dessa catástrofe anunciada e responsabiliza de modo isolado somente o poder político como sendo a origem e fabricação da destruição. Tal insensatez substitui qualquer preocupação ética de complacência ou altruísmo com outros seres humanos pelo egoísmo, no qual a única coisa importante, ao corporativismo capitalista, é o aumento do patrimônio. Tal modelo perverso não pode ser superado com palavras e retórica, mas com ação política efetiva.

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