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O fantasma de Nuremberg

AuthorAutor: Valton Miranda    CategoryMarcadores: , ,


 A cidade alemã de Nuremberg entrou para a história após o julgamento em massa dos criminosos nazistas da segunda guerra mundial. É sabido que a mentalidade guerreira de um povo está em parte pressuposta na sua mitologia e cultura. Desse modo, Odin, com as Valquírias guerreiras montadas em cavalos alados, prefigura Hitler, com seus guerreiros montados em tanques e aeronaves. A mentalidade coletiva, entretanto, não está dissociada das forças produtivas e das relações de produção históricas que a engendram. Nesse sentido, a história é impulsionada por fatores econômico-sociais, mitológicos e culturais. A mentalidade da chamada civilização capitalista mundializada dá continuidade à dinâmica da guerra sob outras formas, o que resulta em destruição planetária da natureza e do homem.
Nuremberg, que julgou e condenou o nazismo, pariu um notável homem que julgou e condenou o capitalismo. Robert Kurz, morto em 18 de julho, mostrou na esteira de Marx, utilizando as leis econômicas descobertas por ele, que o sistema capitalista vive o colapso da sua impossibilidade interna de produzir valor, pois máquinas não fazem mais do que produzir outras máquinas, sendo o ser humano excluído desse processo. Kurz advoga, no limite radical da sua teoria, o desaparecimento da mais-valia, consequência do perecimento do trabalho humano. O resultado é o mundo fictício dos créditos bancários e dos investimentos virtuais em bolsas de valores, ou financeirização, ao invés de produtividade real da economia capitalista tomada na dimensão global. A crise estrutural do sistema, que eclodiu em 2008, se espalha pelo mundo como um rastilho de pólvora, cujos anúncios se manifestam pelas diversas formas de violência visíveis a olho nu “para quem tem olhos”; isso, além da superficialidade, futilidade e incapacidade para pensar, produzidos dentro dessa cultura, estimulou o individualismo narcísico mais grotesco, que se nutre do egoísmo contra qualquer ética público-comunitária.
Dentro dessa visão teórica e política, o grupo Krisis, de Fortaleza, muito prestigiado pelo próprio Kurz, com sua presença em debates aqui realizados, manifesta essa radicalidade contra a degradação provocada pela civilização capitalista mundial, pregando o voto nulo. Concorde-se ou não com tal atuação política, não há dúvida de que é baseada num sistema de pensamento teoricamente consistente.   A inutilidade dos “remendos”, que o capitalismo globalizado tentou colocar, apoiado no seu extenso domínio midiático, levou-o à contraofensiva atual com golpes brancos como em Honduras e mais recentemente no Paraguai. Além disso, o carro chefe desse sistema, os E.U.A, aliado a potências europeias do antigo colonialismo, tenta agressivamente manter o domínio geopolítico e econômico do mundo, através de ações militares e fortes subsídios a candidatos de direita nos processos eleitorais de diversos países.O Brasil, fortalecido no governo Lula, é alvo dessa estratégia mundial nas eleições de outubro, sendo visível a tentativa midiática de dividir a esquerda, contrapondo Lula a Dilma.

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