Crime e Pressão no Mensalão

AuthorAutor: Valton Miranda    CategoryMarcadores: , , ,


O julgamento político-midiático espetacularizado com o nome de “mensalão” teve início na denúncia do irado deputado Roberto Jefferson contra o Caixa 2, do qual era beneficiário na relação com o PT. É sabido que o Caixa 2 é uma instituição empresarial e política decorrente das perversões do sistema capitalista que a sociedade informada sabe existir, mas que é considerado crime pela norma geral ou Direito Positivo. O objetivo maior de Jefferson era José Dirceu, com o qual mantém uma relação de amor e ódio, cuja ira narcísica foi devidamente aproveitada pela oposição de direita para na época tentar o impeachment do presidente Lula. Nunca a fabricação de um escândalo foi tão conveniente para as forças políticas que se opunham ao processo de ascensão e hegemonia de camadas sociais articuladas no PT e na esquerda. A tática teve tanto sucesso que setores desavisados da esquerda que não compreendem a extensão da manipulação da ética pelo sistema midiático-político engrossaram de corpo e alma a virulenta crítica do direitismo militante. A cruzada pela democracia incluía o projeto de aniquilar através da denúncia sistemática todos os movimentos, partidos e organizações que lutam contra a dominação capitalista com sua fanática mentalidade egoísta do lucro máximo. O retorno tático ao “mensalão” tem duas origens principais: o aprofundamento da crise estrutural do capitalismo mundializado e o processo eleitoral para prefeitos e vereadores a consumar-se em outubro. A ofensiva mundializada do sistema do Capital é feita através da chamada “opinião pública” que não é outra coisa senão pressão midiática à qual nenhum setor da sociedade civil e política é imune. O entendimento ético da justiça como virtude humana e política não nasce de nenhuma mente individual iluminada. Ao transitar dos interesses econômicos individualistas e mesquinhos para a preocupação com o bem público a sociedade política constrói na intimidade do ser social a ética. Atingir tal universalização da ética é impossível no contexto do mercado capitalista, pois a maximização do lucro é estruturalmente fraudulenta e corrupta. O paradoxal disso é a incessante proclamação da luta pelos direitos humanos que o capitalismo globalizado empunha como bandeira. O paradoxo, como afirma Comparato, é que a mentalidade coletiva dessa cultura mundializada ao afirmar a primazia do privado sobre o público e do egoísmo sobre o altruísmo rejeita implicitamente qualquer ética pública. Não há saída para o impasse, pois o espírito camaleônico também se universaliza e assim a traição, a mentira, a fraude e até o assassinato são aceitáveis, desde que não sejam descobertos. Dessa maneira, ao entrar no mercado publicitário a política precisa de vultosas somas para o seu desempenho o que a distancia dos seus fins éticos. Na mundialização capitalista a aparência de honestidade é mais importante do que ser honesto, pois a imagem é mais essencial que a verdade. O melhor instrumento para combater “mensalão” ou “paulistão” é a ética da Ficha Limpa que nasce do povo.

1 comentário em “Crime e Pressão no Mensalão”

  • Anônimo   23 de fevereiro de 2013 19:50

    Graças a Deus ue o 'MURO DE BERLIM" foi derrubado, não pela CIA, mas, pelo próprio povo que não suportava mais um "paraíso" de 70 anos de comunismo. Só restaram 03 velhos dinossauros: Vietnam, Coréia do Norte,China(adotando a filosofia capitalista do consumo e investimento) e a patética e infeliz CUBA.
    Note-se que quando houve o golpe militar ninguém quis se asilar em Cuba. Todos preferiram os "decadentes países capitalistas".

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