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PT cai, baixo clero sobe

O melancólico e evidente enfraquecimento do maior partido de esquerda da América Latina ocorre concomitantemente com a subida ao poder, no Congresso Nacional, da mais medíocre malta de políticos aninhados no PMDB, PSDB e PSB. 
 A presidente Dilma venceu a eleição de 2014, não pelos méritos do PT, mas pela confiança que inspirava à população emergente da pobreza e de parte do operariado que ascendeu à classe média, temerosos de perder as vantagens alcançadas no governo Lula.
O PT, desde 1980, conseguiu manter a unidade relativa, apesar das remidas lutas internas entre as facções que recortam o partido. Tais embates produziram ao longo dos anos, um clima paranoico na organização, enquanto a ascensão ao Poder fez surgir um flanco economicista, pragmático e perverso, capaz de praticar a corrupção como qualquer outro partido convencional e reacionário. O pragmatismo abandonou a mobilização social e permitiu o avanço da direita mais conservadora, estimulada pela grande imprensa sudestina, com o respaldo da fútil mentalidade da classe média.

O fenômeno da marginalidade aliada à religião sob a bandeira do moralismo é bastante frequente no mundo político. Max Weber já observara a espúria aliança entre o movimento carismático pentecostalista e o capitalismo, ungido por Deus para alcançar o lucro máximo.
Os presidentes eleitos, da Câmara e do Senado, são produto natural da desmoralização do PT e da demonização da política. O bombardeio midiático sobre a ala corrupta da esquerda, usando a Petrobras como mote com a finalidade nebulosa de levar à sua privatização, não hesitará em liquidar os quarenta anos de democracia que o povo brasileiro conseguiu desde o descobrimento.

Não estou sugerindo que todos os parlamentares do Congresso integram essa baixaria, tampouco que os dois presidentes congressuais comunguem da mesma religião, mas que o espírito que os anima é precisamente o mesmo, ou seja, favorecimentos e troca de interesses na articulação entre mercado e política. O paradoxo é precisamente que esse grupo se propõe combater as arrogâncias e perversões petistas.
A propósito do líder do baixo clero, diz o grande jornalista brasileiro Alberto Dines: “Führer (Hitler) típico, determinado, ídolo dos medíocres, aliado predileto dos pusilânimes. No mostruário de lideranças fornecido pela Revolução Francesa, situa-se entre Georges Danton, o demagogo audacioso e Joseph Fouché, o conspirador-manipulador, eterno sobrevivente, sacerdote capaz de fingir-se ateu para ganhar mais poder.” E ainda: “Quando operava na esfera estadual metia-se em constantes trapalhadas, chegou a sofrer um atentado e foi acusado de fazer negócios com famoso narcotraficante.”

O perfil do presidente da câmara se ajusta perfeitamente ao house of cards e o apoio que recebeu da direita congressual mostra a extensão da mesquinha representação animada por uma mídia hipócrita, perversa e inescrupulosa, na sua aliança fundamental com a elite econômica brasileira.
O golpe é inútil: Dilma está emparedada entre a direita econômica e a política rastaquera.

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