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O AVIÃO DA MORTE

Publicado no Jornal O Povo em: 10/05/2015

A morte está vencendo a guerra sobre a vida em todos os recantos do planeta terra. O avião lançado contra os Alpes não é fenômeno isolado, produto de uma mente doentia, desejosa de afirmação, post-mortem, pela fama. Os decapitadores da Jihad islâmica estão envolvidos numa luta teológico-política, na qual o terrorismo é considerado instrumento de combate, tal como, matar judeus na linha de montagem nazista, fazia parte da estratégia geral que considerava o povo hebreu uma não-gente.
A vontade de potência que alguns indivíduos podem assumir de modo absoluto, (Hitler, Stalin), somente se desenvolve no contexto do narcisismo coletivo. Evidentemente, que os problemas individuais dos meninos de Columbine, ou a paranoia de Andreas Lubitz é um ingrediente a mais nesta perversa sucessão de tragédias que acompanham o percurso histórico do homem.

Durante a guerra do Peloponeso em 400 a.C. para ficar só num exemplo, crueldades impensáveis foram cometidas, como queimar prisioneiros vivos, decepar-lhes a mão direita e outras belezuras que Sade gostaria de ter contemplado ao vivo.
Atualmente, com a rapidez dos meios de comunicação, estamos mais diretamente em contato com o potencial destrutivo do homem, que parece ganhar força na cultura contemporânea, que exalta a competitividade destrutiva em todos os níveis, inclusive na harmonia da beleza.

O modelo nazista, que projetou no judeu o inimigo universal parece ganhar força através do despotismo informacional-eletrônico. O ódio e a intolerância são claramente cultivados por meio das mídias mundiais contra as minorias de todo tipo, enquanto a ciência indiferente ao homem proclama que a informática salvará o mundo! Ao contrário, tudo indica que a batalha informacional está sendo vencida pelos grandes monopólios que utilizam a espionagem, a mentira e a morte como instrumentos de lucro.
Lubitz paranoico quer o poder e não hesita matar inocentes para atingir o inimigo universal, substituto de Deus na terra. O seu protótipo é Orlando Furioso que, no século XVI, mostrou como mentalidade coletiva e loucura pessoal produzem destruição.

O mundo dominado pela imagem e superficialidade, incapaz de pensamento crítico, banaliza a vida e a morte, enquanto o delírio religioso promete a salvação no outro mundo. A ética e Deus se transformaram em instrumento de manipulação a serviço do suposto saber do Mercado, ou seja, um deus chamado Dinheiro.
Diariamente, morrem centenas de africanos pobres, embarcados em sucatas navegantes que tentam atingir a costa europeia, sob o olhar indiferente da elite rica.

O terrorismo que levou à derrubada das torres gêmeas foi comandado por Bin Laden, mas, atualmente, não precisa de comando. O controle da destrutividade está no interior da cultura que aciona pequenos grupos ou indivíduos contra um inimigo que apenas vislumbram inconscientemente, como acontece com jovens europeus e norte-americanos que vão lutar ao lado da crescente irmandade muçulmana.
É uma verdadeira destruição contra-cultural.

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