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OS SANTOS DA POLÍTICA

AuthorAutor: Valton Miranda    CategoryMarcadores: , , , ,

Valton de Miranda Leitão

            A santidade é aparentemente o objetivo maior de alguns partidos e de personalidades políticas no Brasil! É de pasmar a hipocrisia e a mediocridade que transitam entre setores midiáticos, partidos políticos, judiciário politicamente manipulado, que assombrosamente se proclamam desejosos de entronização no altar da santidade.
Este é o ponto nodal de onde parte uma campanha de ódio contra outros setores da vida política nacional, considerados em princípio, demoníacos e corruptos. Na intimidade desse caldo de cultura do ódio brasileiro está uma velha tese emanada de Darwin e Spencer, segundo a qual os mais aptos para sobreviver devem governar, porque são certamente, os mais decentes e os mais honestos. Isso esteve misturado com a questão racial do louro contra o negro ou do alemão contra o judeu, do rico contra o pobre e/ou do operário contra o patrão.
O ódio e o crime sempre encontram um álibi para serem descarregados e historicamente aconteceu com Herodes nos tempos bíblicos, e com Stalin e Hitler na contemporaneidade. O ódio sempre encontra um motivo que os psicanalistas chamam racionalização, para sua transformação em tortura, crueldade ou vingança.
O odiador como o torturador precisa de um outro sobre quem descarregar sua agressividade, como o carrasco necessita de sua vítima. O motivo para odiar pode ser a cor da pele ou aquilo que Freud chamou nos grupos de narcisismo de pequena diferença. Os bósnios durante a guerra da Herzegovina praticaram contra os croatas a cruel tortura, chamada gravata croata, que consistia em pregar o inimigo em uma porta ou poste e fazer um corte na tranqueia por onde era puxada a língua, causando a morte terrível por sangramento e asfixia.
Os bósnios consideravam os croatas “que são da mesma religião e etnia” como inferiores e politicamente incompetentes, e aniquilá-los seria útil para o crescimento daquela nação balcânica. O nazismo considerou o povo judeu uma não gente e montou um dispositivo para seu extermínio, como uma verdadeira linha de montagem de uma fábrica de matar, sem deixar vestígios. Nessas condições, o outro não deve ser simplesmente morto, mas transformado num montão de cinzas, pois não se trata nem de uma merda, mas de algo que deve ser varrido da geografia e da história.
O ódio pode alcançar essa dimensão quando diferenças políticas, raciais e religiosas encontram um álibi para destruir aquele outro grupo ou pessoa considerado inimigo. A mistificação das massas humanas pela propaganda levou pessoas inocentes ao longo da história a serem queimadas vivas, espancadas até a morte ou agredidas com impropérios, como aconteceu recentemente no Aeroporto de Fortaleza, com o coordenador nacional do MST, João Pedro Stédile.

O ingrediente mais forte do ódio é o sadismo, do qual os odiadores retiram prazer e algumas vezes um prazer orgiástico. O orgasmo também é obtido na prática da crueldade, e por isso o homem pode se tornar um animal muito perigoso. Além do bem e do mal, demagogos e tiranos.

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