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BOCA MALDITA

AuthorAutor: Valton Miranda    CategoryMarcadores: , , ,

VALTON DE MIRANDA LEITÃO

É absolutamente necessário mostrar as profundas mudanças no mundo, onde múltiplas combinações de gênero e sexualidade deixam pais, educadores e o senso comum atônitos, ao lado da crise mundial do mesmo naipe, agravada com o anúncio da explosão da bomba de hidrogênio em janeiro de 2016, pela Coreia do Norte. É impossível não pensar que os interesses geopolíticos chineses e russos não tenham qualquer participação neste acontecimento.
Aparentemente uma coisa nada tem a ver com a outra, mas creio que no mundo globalizado pelo consumo indiscriminado, tudo ocorre como numa reação atômica em cadeia, na qual nada acontece sem a participação sideral.
A publicação da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre diz textualmente: “’O Jornal Zero Hora’, periódico de grande circulação em Porto Alegre, publica em seu caderno VIDA, o nascimento de Gregório, gerado por Anderson, ‘a mãe’ e Helena, ‘o pai’. Anderson nasceu como Andressa e aos 15 anos assumiu identidade masculina. Helena nasceu homem e aos 19 anos se assumiu transgênero. Viviam juntos há cerca de um ano quando descobriram a gravidez de Anderson. Este jovem casal transgênero recebe o pequeno Gregório nome escolhido pela mãe Helena que nasceu homem e é estudante de letras, em homenagem ao poeta barroco Gregório de Matos, com as mesmas emoções, medos e incertezas de qualquer outro casal”.
O mundo globalizado em crise econômica, cultural e espiritual transtorna tão intensamente a dinâmica mental, individual e grupal, que afeta a capacidade simbolizadora do homem.
A violência espraiada tem nova configuração, apresentando-se como terror islâmico ou norte-americano, mas também como degradação afetiva em beneficio da idolatria e da imagem. O interesse material substitui o afeto nas relações inter-humanas, enquanto o complexo narcísico individualizante impede a resolução do complexo de Édipo socializante. Nesse contexto, a sexualidade desviante é incrementada e a violência sádica assume proporções globais.
O sadismo tão bem explicitado nos textos do Marquês de Sade está no terrorismo, na crueldade e na tortura que tomam as formas mais sutis, quase invisíveis, mas cujos resultados devastadores são percebidos na biosfera, no incremento midiático da hipocrisia e na decomposição das formas anteriores de sexualidade. Essa neossexualidade mostra a origem bissexual do homem ao lado da criança perverso-polimorfa, explodindo em comportamentos extravagantes ou inusitados e exigindo uma nova ética.
Se Sade foi a boca maldita que prenunciou a explosão erótica de um lado e a tanática do outro, a obra contundente de Gregório de Matos, no começo do século XVII, antecipa seus desdobramentos brasileiros.

A neossexualidade emergente pode se combinar perigosamente com a destrutividade, produzindo perversões nunca vistas. É igualmente possível que novas formas de amor contribuam para a paz humana. A delicada temática deve abrir um leque de discussões respeitosas e basicamente científicas. A comunicação virtual de multidões na internet é um dado para o bem e para o mal. 

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