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O ataque ao saber

AuthorAutor: Valton Miranda    CategoryMarcadores: , , ,

https://www.opovo.com.br/jornal/dom/2017/12/artigo-o-ataque-ao-saber.html
O Estado de Exceção vigente no Brasil promove ataques à sociedade brasileira com apoio dos holofotes midiáticos em diversos planos. O desrespeito à Constituição é flagrante para atender aos interesses do mercado financeiro, precarizando o trabalho e tentando impedir a justa aposentadoria do trabalhador. 
O avanço belicista é patrocinado pelo Poder Judiciário sob a conveniente máscara do combate à corrupção. Parcela ponderável dos operadores do Direito usando linguagem kafkiana instrumentaliza os institutos da condução coercitiva, da prisão preventiva e da delação premiada para levar a cabo uma cruzada teológico-política paranoica sem precedentes, visando alterar a correlação de forças da política nacional a favor do conservadorismo elitista. 
O ataque à produção de conhecimento como instrumento crítico teve início com a proposta da Escola Sem Partido e prossegue com a mais abusiva invasão de várias universidades do País. O Exército togado segue rumo previsto, tendo policiais federais como executores da tarefa de invadir os espaços de liberdade das universidades. 
O ataque à UFSC levou o reitor ao suicídio, sendo o episódio mais recente o da UFMG, usando como álibi supostos desvios de dinheiro na construção do Memorial da Anistia. Não por acaso, o pensamento fascista ataca nesse ponto, pois é exatamente a memória da luta contra a ditadura entre outros componentes do Saber que pretendem destruir. 
A moralidade hipócrita tenta desqualificar o gigantesco trabalho das universidades públicas brasileiras, quebrando sua autonomia constitucional e negando o justo mérito às fontes de produção do Saber que permitem ao Brasil avançar em Ciência e Tecnologia, pesquisa e extensão. Nenhum país que não esteja subordinado aos interesses de potências estrangeiras procede a devastação da sua própria fonte geradora de inovação tecnológica, saber e conhecimento da maneira bárbara que faria inveja aos bárbaros Unos.  
A Imprensa convencional naturalmente não divulga as ações que constituem as etapas do avanço das tropas do Estado de Exceção, pois faz parte dessa mesma arquitetura. É profundamente lamentável que o pensamento jurídico brasileiro, que produziu personalidades como Sobral Pinto, Clóvis Beviláqua e Evandro Lins e Silva, seja aviltado pelas medíocres figuras que aparecem diariamente na tela da Globo, movendo-se entre Curitiba e o STF. 
A sonegação da informação é tão vasta que poucos tomaram conhecimento do depoimento do Advogado Taclas Duran durante quatro horas na Câmara dos Deputados, na CPI sobre o abuso de autoridades, mostrando como funciona a maquinaria da delação premiada. O advogado que trabalhou junto a um escritório de advocacia curitibano mostra com provas o “escritório laranja” onde os golden boys de Curitiba despejam os delatores que pagam fortunas para se livrarem da cadeia, num ajuste perfeito com os donos da ética da república do Paraná!
Os cruzados dessa ética de fancaria não convencem a intelectualidade que agora já se dá conta da extensão dessa brutalidade em todo o País.  

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